Exposição e Seminário celebram 90 anos de Paulo Freire

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Professores discutem proposta transformadora do grande mestre educador em homenagem aos 90 anos comemorados com exposição e Seminário.


Seminário sobre vida e obra de Paulo Freire aborda teoria e práticas pedagógicas para uma educação transformadora e contextualizada com a realidade. A homenagem aos ‘90 Anos de Paulo Freire’ em formato de exposição fotográfica e seminário, realizados na noite desta segunda-feira, 19, no plenário da Assembleia Legislativa, foi a deixa para um amplo debate sobre a educação no Brasil e em Sergipe.

Antes do pronunciamento dos palestrantes, a deputada e professora Ana Lúcia fez uma rápida retrospectiva da história de vida e atuação política do educador homenageado. “Paulo Freire é um mestre porque veio muito além do seu tempo, e ele ainda está à frente do nosso tempo. Ao longo da nossa caminhada ele assumiu o compromisso político de estar ao lado dos oprimidos, dos excluídos e dos explorados”, observou a deputada. “É com muita alegria, que a gente abre a partir daqui este diálogo, demonstrando que acima de tudo assumimos o compromisso de discutir com os nossos professores e estudantes, das escolas, universidades e faculdades, sobre a caminhada deste educador. Pois, como dizia Paulo Freire: ‘a educação não liberta, mas sem a educação você também não transforma a sociedade’. E neste debate eu tenho certeza de que vocês vão sair com o desejo e vontade de, no chão da escola pública, colocar em prática esta proposta pedagógica revolucionária”, enfatizou.


O professor Romero Venâncio, do Departamento de Filosofia da UFS, se referiu a Paulo Freire como um dos grandes ‘demiurgos do Brasil’, o que significa intérprete do país. E em seu caso específico, um intérprete a partir das classes populares. “Paulo Freire é o primeiro indicar a contextualização como dimensão pedagógica fundamental. Assim ele tira a educação de cubículos, de lugares fechados, e dá a ela qualificativos que nunca teve neste país. O processo educacional acontece na escola como um lugar da educação. Nunca como o único lugar da educação”, explicou. Romero observou que Paulo Freire acabou sendo cerceado por sua concepção revolucionária de educação. “Eu diria que ‘Pedagogia do Oprimido’ não é apenas um livro, esta obra é um ato radical de compromisso com a classe trabalhadora brasileira”, declarou o professor.

A professora Sandra Beiju e o professor Neilton Diniz, ambos educadores da Rede Pública de Ensino Estadual e Municipal de Aracaju, confrontaram sua experiência prática na sala de aula com alguns dos ensinamentos de Paulo Freire. Sandra mostrou imagens da escola onde trabalha em slides e relatou sua abordagem com os estudantes. “Eu tenho plena convicção de que o embrião é a pequena infância. É lá que o Poder Público tem que investir, pois é o embrião do cidadão. Por isso precisamos lutar sim por ensino integral. E também por isso eu me recusei a trabalhar com apostilas de Curso Positivo dizendo como eu devo ensinar. Eu tenho autonomia na construção do trabalho pedagógico em sala de aula”, defendeu a professora Sandra.

O educador Neilton Diniz, que ensina na rede estadual e municipal de Aracaju, além de integrar a direção do Sintese, enfatizou a importância do renascimento do protagonismo. “O protagonismo é algo que precisa acontecer nas diversas fases da escola, porque o adolescente, assim como as crianças, tem visto a escola como um lugar ‘tolhedor’ de ideias. Isso tem haver com o fato da gente ter desistido de ser utópico e não se reconhecer como um ser de classe", analisou.

A professora Lianna Torres, do Departamento de Educação da UFS, atentou para a importância de retomar as lições de Paulo Freire confrontando a teoria de seus ensinamentos com a realidade da educação. "Trazer Paulo Freire, sua memória, debatê-lo, é fundamental, porque a academia deixa Paulo Freire no lugar dos românticos, do passado, do utópico, e esse movimento que nós fazemos aqui serve para confirmar que Paulo Freire não morreu. Aqui trazemos sua memória, e este educador não pode morrer. Ele é o educador da esperança", afirmou a professora.


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