Wellington Mangueira e Irmã Francisca recebem homenagem da ALESE

Escrito por Débora Melo Ligado TPL_WARP_PUBLISH . Publicado em Notícias

Em virtude da passagem do Dia Internacional de Direitos Humanos, no último domingo, 10, a Assembleia Legislativa de Sergipe homenageia, entregando a Medalha de Direitos Humanos Dom José Vicente Távora a dois defensores dos direitos humanos que dedicaram suas vidas à defesa da democracia e à transformação da realidade social: o professor e advogado Wellington Mangueira e a freira belga radicada em Sergipe, Irmã Francisca.
A outorga acontece nesta terça-feira, 12, às 11h, no plenário da ALESE. A medalha - criada por iniciativa da deputada estadual Ana Lúcia - é entregue anualmente como forma de reconhecer a atuação e os esforços para a promoção e a defesa dos direitos humanos em nosso Estado.
O Advogado e professor Wellington Mangueira é se tornou sinônimo da luta em defesa dos direitos humanos em Sergipe pela resistência frente à ditadura militar: Foi Líder estudantil durante a juventude, militante histórico do Partido Comunista Brasileiro e preso político. Após a redemocratização, desempenhou diversas funções e cargos públicos com ética e sempre na defesa de um projeto de sociedade humanista. Foi professor de diversas escolas da rede pública de Sergipe, percorreu diversas secretarias de Estado e dos municípios de Aracaju e Nossa Senhora do Socorro como assessor e como secretário, inclusive de Segurança Pública de Sergipe. Atualmente é Presidente da Fundação Renascer.
A freira belga radicada em Sergipe, Irmã Francisca tem sua vida marcada pela coragem e pela opção de defender os mais pobres. Belga de nascimento, sergipana de coração e de direito – por autoria de nosso mandato democrático e popular, que lhe concedeu o título de cidadã sergipana – Irmã Francisca dedicou quase 50 dos seus pouco mais de 80 anos à população de nosso Estado. Seu trabalho de evangelização inspirou – e permanece inspirando – e contribuiu fortemente com a organização dos trabalhadores rurais sem terra, dos quilombolas e dos mais pobres, por onde passou: Japaratuba, Ilha das Flores, Pacatuba e toda a região do Baixo São Francisco.
Patrono da homenagem
Pernambucano do interior, município de Orobó, nascido em 1910, Dom Távora contribuiu muito com a história do povo brasileiro, principalmente a dos pobres. Chegou em Sergipe no ano de 1958 e foi Arcebispo da Arquidiocese de Aracaju no período que vai de 1960 a 1970. Incansável, Dom Távora foi um verdadeiro lutador da classe trabalhadora, da democracia, e principalmente dos direitos humanos em Sergipe.
Chamado de ‘Padre dos Operários’, Dom Távora também criou o Movimento de Educação de Base em Sergipe e fundou a rádio cultura, como um meio para alfabetizar os pobres. Foi a partir do MEB que surgiram as articulações dos trabalhadores rurais para a criação dos primeiros sindicatos dos trabalhadores rurais e a Federação dos Trabalhadores Rurais do Estado de Sergipe. Durante sua vida pastoral, Dom Távora sempre estimulou a luta pela Reforma Agrária em todo o país para a prática da justiça social no campo.