Audiência Pública homenageia Paulo Freire nos 50 anos da Pedagogia do Oprimido

Escrito por Paulo Eduardo Ribeiro Ligado TPL_WARP_PUBLISH . Publicado em Notícias

WhatsApp Image 2018 09 21 at 09.48.03O mandato popular e democrático da deputada Ana Lúcia promoveu na manhã desta sexta-feira, 21, a Audiência Pública “50 anos da Pedagogia do Oprimido: a importância de Paulo Freire para a educação no Brasil e no mundo”. A Audiência contou com a presença de professores e estudantes que lotaram o auditório da Escola do Legislativo para ouvir e debater a importância da obra do “Patrono da Educação Brasileira e Sergipana”

A primeira palestrante, Elza Ferreira, professora do IFS, iniciou sua exposição pontuando: “hoje vou me despir do teor acadêmico e falar em um tom mais informal. Gostaria de contar como  conheci Paulo Freire e sua obra”, passando a um relato sobra sua vida e sua formação profissional e acadêmica. A professora enfatizou o significado do momento político que atravessamos: “desde 2016, passamos por Reformas que estão destruindo o que construímos ao longo de muitos anos. Temos que enfrentar esse vendaval e salvar as relíquias desse incêndio criminoso”.

Consignando que “sou professor contra o desengano que paralisa”, a palestrante descreveu sua trajetória, iniciada no município de São Domingos, no interior sergipano onde, na década de 80, “não havia muitas pessoas que soubessem ler e escrever”. Ao dedicar-se à organização da biblioteca do município, tomou contato com os grandes clássicos da literatura brasileira e com a história de “homens e mulheres resistente ao patrão, ao coronel”, citando Vidas Secas e Fogo Morto.

“Como professora, desde os quinze anos, descobri o conceito freiriano de que “ensinar inexiste sem aprender. Eles aprendiam matemática, português e eu, a ser gente.”

“Entrei e saí da Universidade Federal de Sergipe sem estudar Paulo Freire. Apenas no mestrado, através de professores portugueses, tomei contato com sua obra.” Um encontro fundamental, segundo a professora do IFS: “Paulo freire era um caminho sem volta. Não era mais possível entrar em sala de aula sem Paulo Freire. Não queria mais apenas formar, mas também ser formada”.

Mesmo durante seu doutorado, cursando História da Educação Brasileira, não tomo contato com a obra de Paulo Freire, apontou, finalizando: “impossível dissociar a formação freiriana de minha vida. Ninguém dá liberdade a ninguém, a liberdade é uma conquista. Não há opressão que se sustente quando nós perguntamos ‘por que?’. Quando me desanimo da luta, assisto vídeos da deputada Ana Lúcia, corro para a sala de aula; os estudantes me alimentam.”

A segunda palestrante, Corinta Geraldi, iniciou sua intervenção afirmando estar trajando roxo para mostrar sua adesão ao Movimento “#EleNão”.

Discorrendo sobre a importância internacional de Paulo Freire, relatou o quanto é conhecido e reverenciado no exterior: “o olhar do mundo acadêmico mais sofisticado do mundo o reverencia e aqui, em nossa Academia, não há o mesmo reconhecimento. A Pedagogia do Oprimido está na lista dos 100 livros mais solicitados para pesquisa no mundo, a única obra brasileira presente no levantamento. Paulo Freire é doutor honoris causa em 29 universidades em todo o mundo. Enquanto isso, aqui, recentemente tentaram tirar o seu título de “Patrono da Educação Brasileira”.

A palestrante relatou a brilhante trajetória de Paulo Freire, o início de sua atuação, o período de exílio, estabelecendo uma relação de sua biografia com sua vasta produção. “Nós, muitas vezes, não nos colocamos no lugar de quem quer aprender. A Pedagogia é do oprimido e não para o oprimido”, lembrou a professora Corinta, concluindo: “todo ato pedagógico é um ato político! A esperança é revolucionária, é necessária”!

Encerrando as palestras, o professor Wanderley Geraldi inaugurou sua intervenção fixando: “Tenho o dever cívico de iniciar dizendo “Fora Temer e Lula Livre!”

Em um emocionado relato, descreveu sua proximidade com Paulo Freire, de quem foi colaborador direto e cravou: “informação e erudição não significam sabedoria”, salientando que a Pedagogia do Oprimido não foi escrita no interior de um escritório: “a obra começou a ser escrita em Angicos, com o autor alfabetizando.”

O professor rememorou que “na década de 80, não era possível falar abertamente de Paulo Freire: vivíamos sob a ditadura e trabalhávamos com uma edição argentina, anterior à brasileira, que entrou clandestinamente no país. Éramos freirianos sem poder citar Paulo Freire”.

Após realizar uma preciosa análise sobre a sequência das obras de Paulo Freire e os vários aspectos de sua trajetória, o palestrante lembrou que os originais da obra Pedagogia do Oprimido foram revelados há pouco mais de um ano.

Após citar diversas experiências, inclusive em Sergipe, que se basearam na prática freiriana, concluiu: “ser freiriano e não assumir a repetição de uma teoria. A maior homenagem que se pode fazer a um escritor é ir além dele!”

Seguiu-se à exposição dos palestrantes debate que contou com entusiástica participação dos presentes, coroando uma manhã de celebração da importância imensurável de Paulo Freire e sua obra para a Educação no Brasil e no mundo.