Procuradores do MPF Lívia Tinôco e Ramiro Rockenbach são cidadãos sergipanos

Escrito por Débora Melo Ligado TPL_WARP_PUBLISH . Publicado em Notícias

Plenário lotado de autoridades civis e militares, dos três poderes, lideranças religiosas, indígenas, quilombolas e de movimentos sociais, além de amigos e familiares dos homenageados, foram até a Assembleia Legislativa de Sergipe para prestigiar a entrega do Título de Cidadania Sergipana a dois Procuradores da República que tanto contribuíram com a defesa de meio ambiente, minorias étnicas, educação, saúde, direitos humanos e sociais em nosso Estado: Dra. Lívia Nascimento Tinoco e Dr. Ramiro Rockenbach da Silva Matos Teixeira de Almeida. A iniciativa foi da deputada estadual Ana Lúcia.

Quem acompanha minimamente a atuação destes dois procuradores, sabe que não são afeitos à atuação meramente burocrática, sob o ar condicionado dos gabinetes. Eles não se furtam de ir a campo, conhecer a realidade daqueles que cobram medidas do MPF, de verificar in loco o que consta muitas vezes em relatórios. Seus gabinetes são, via de regra, espaço em que recebem as demandas dos cidadãos”, apontou a deputada estadual Ana Lúcia.

Sob cânticos de luta e resistência, a solenidade foi aberta. A comunidade Mocambo, em Porto da Folha, trouxe à ALESE a cultura da população quilombola, por meio de uma bonita apresentação cultural.

Em um discurso emocionado, Drª Lívia Tinôco agradeceu às comunidades tradicionais sergipanas pela convivência no tempo em que vive em nosso estado. “São quase dez anos que vivo aqui em Sergipe e nesse relacionamento, sem dúvida alguma eu fui a mais beneficiada. Como agradecer o que aprendi com as comunidades quilombolas, as comunidades indígenas, as comunidades ribeirinhas, as catadoras de mangaba e de tantos povoados presentes nos municípios do estado de Sergipe? Com eles aprendi sobre a cultura, sobre a conservação da natureza, sobre respeito à ancestralidade e sobre a capacidade humana de pensar e agir de um modo menos individual e mais coletivo”, agradeceu.

Dr. Ramiro Rockenbach também fez um discurso enaltecendo a importância das comunidades tradicionais em Sergipe, reconhecendo o seu valor para a formação do povo sergipano e brasileiro. “Não seríamos nem parte do que somos se não fossem os negros, os remanescentes dos quilombos, os índios e principalmente se não fossem as negras e as índias. Elas e eles são um verdadeiro orgulho dessa nação. Nós do MPF estamos muito orgulhosos de estarmos aqui com todas essas pessoas que representam as minorias aqui nesse plenário, minorias essas que seriam maiorias em número se não fossem os grandes equívocos que ocorreram no passado e que em grande medida ainda ocorrem e que nós trabalhamos intensamente para que não ocorram mais”, reconheceu. “O mínimo que podemos fazer é nos dedicarmos às nossas lutas, às nossas batalhas”, resumiu Dr. Ramiro.

Dra Lívia ressaltou que ela e Dr. Ramiro conheceram a deputada Ana Lula em campo, “quando nós compartilhávamos do mesmo interesse de superar barreiras para garantir direitos negados”, destacou, agradecendo as oportunidades de trabalho em conjunto entre a parlamentar e o Ministério Público Federal. “O recebimento deste Título de Cidadania Sergipana reforça o meu compromisso com a defesa dos direitos humanos e dos direitos sociais. Eu sempre buscarei os instrumentos democráticos mais adequados para a proteção dos grupos mais vulneráveis e mais injustiçados. Foi por acreditar no direito como instrumento de transformação social que eu abracei a carreira no Ministério Público”, apontou a mais nova sergipana.


Entre tantas frentes de trabalho desenvolvidas pela procuradora Lívia Tinôco, Ana Lula destacou o papel fundamental cumprido por ela e pelo MPF para a defesa das comunidades quilombolas e indígenas em Sergipe, no sentido de acompanhar a luta pelo acesso às suas terras e pela garantia dos seus direitos sociais. “Dra Lívia atuou e atua bravamente em defesa do direito das comunidades indígena e quilombolas, com respeito e sem nunca deixar que o protagonismo da luta seja retirado das próprias comunidades. Ao contrário, sua atuação é sempre na perspectiva de fazê-los gerir seu próprio território e de estimular a autorganização e a participação social”, apontou, destacando ainda seu papel junto à defesa do meio ambiente e do Rio São Francisco, à garantia de saneamento na Zona de Expansão de Aracaju e Jabotiana e à defesa da cultura da mangaba, entre outras tantas ações.

Ana Lula também assinalou o trabalho comprometido com a defesa dos direitos humanos de minorias sociais que Dr. Ramiro vem desenvolvendo na Procuradoria dos Direitos do Cidadão e da Cidadã e no tocante à defesa do direito à moradia, paute em que Dr. Ramiro atuou e atua com engajamento na defesa de milhares de famílias sem teto e sem terra por todo o Estado: na Fazenda Tingui – hoje assentamento Marcelo Déda –, no Povoado da Cabrita, no assentamento Jacaré Curituba, no Cabo do Revólver, na ocupação Vitória da Ilha, na Fazendo Junco, no Residencial Alecrim, entre outras tantas ocupações e assentamentos Sergipe afora.

“Com um apurado senso de Justiça, o trabalho desenvolvido por por Dr Ramiro, mostra o compromisso deste procurador, tanto com a instituição que ele representa, quanto com a defesa daqueles que tem, cotidianamente, seus direitos negados e que estão à margem das políticas públicas e da própria sociedade: os cidadãos invizibilizados por um modelo de sociedade desigual em que a pobreza de uma ampla parcela da população sustenta uma elite", elogiou Ana Lula. 

Após fazer uma profunda reflexão sobre a democracia e o ódio que tem sido disseminado por todo o país, Dr. Ramiro prestou uma justa homenagem ao Padre Isaías, um verdadeiro lutador do povo, que dedicou sua vida à defesa da democracia e dos direitos daqueles que estão à margem, sobretudo na região do baixo São Francisco. “O Senhor é simbolo do amor”, finalizou, arrancando aplausos dos presentes.