Papel da universidade na resistência democrática marca entrega de Título de Cidadania Sergipana a professores da UFS

Escrito por Paulo Eduardo Ribeiro e Débora Melo Ligado TPL_WARP_PUBLISH . Publicado em Notícias

WhatsApp Image 2018 10 31 at 13.03.20“Contra a ideia da força, a força das ideias!”. Foi com a frase do intelectual orgânico Florestan Fernandes que a deputada estadual Ana Lula iniciou a solenidade de Outorga de Título de Cidadania Sergipana às professoras Bartira Telles Pereira Santos e Silvana Aparecida Bretas e aos professores José Mário Aleluia Oliveira, Romero Júnior Venâncio Silva. A homenagem foi concedida na manhã desta quarta-feira, 31, quando, em nome da Assembleia Legislativa de Sergipe, Ana Lula entregou em mãos o Título de Cidadania Sergipana a estes professores que têm dedicado suas vidas à comunidade universitária e à produção intelectual, sempre na perspectiva de transformação social e da construção de um ensino superior aberto aos filhos e filhas da classe trabalhadora.


“O reconhecimento simbolizado por essa homenagem se reveste, para o nosso mandato, de uma dimensão muito especial em função de uma conjuntura em que a Universidade ganha um papel ainda mais crucial, na condição de espaço de formulação, mas sobretudo, de resistência. E resistência parece ser a palavra que impulsionará toda a nossa energia no próximo período”, destacou Ana Lula, autora da propositura que permitiu a homenagem.

A parlamentar ainda falou sobre o papel fundamental dos professores no atual contexto de ameaça à democracia e da volta do obscurantismo “Se a história não é linear, como bem demonstra o cenário de retrocessos maiúsculos que marca esses dias, sabemos que nos cabe, na condição de educadores, assegurar o trânsito desamarrado e soberano das ideias e das práticas que hão de nos libertar do jugo da ignorância e da opressão”, finalizou.

Os homenageados apresentaram as preocupações e o repúdio pelo cenário político de retrocessos que estamos vivenciando no Brasil, e chamaram a atenção para o papel dos professores e professoras no processo de enfrentamento ao fascismo.

“Não somos doutrinadores, nós professores. São as instituições religiosas, principalmente as mais fundamentalistas que doutrinam. Esta homenagem é simbólica para mim devido ao momento político que vivemos no Brasil. Desde o golpe de Dilma, em que a mídia, o executivo, o legislativo e o judiciário, atacam e atacaram professores e professoras, nos culpando, levianamente de sermos a causa dos problemas da previdência e nos apresentando à sociedade como profissionais sem ética, ao afirmarem que doutrinamos nossos alunos”, denunciou o homenageado José Mário Aleluia.

Ao agradecer os colegas de trabalho, com quem divide a tarefa de formar outros colegas professores, Silvana Bretas destacou que os dias da categoria “não estão sendo nada fáceis, afinal é necessário pensar em praticar a formação política e didática dos professores, tendo em vista a realidade da escola pública cada dia mais precarizadas. (…) Somente na convivência com meus colegas que esta tarefa ganha dimensão do trabalho coletivo e intencional, e que apesar dessa realidade, seguiremos firmes em nossos propósitos”, apontou.

A professora Bartira Telles Pereira Santos falou sobre a importância da construção coletiva para o combate à opressão. “O Título que essa Casa tem a generosidade de me oferecer muito me honra, mas, acima de tudo, me comove por sua simbologia. Vivemos um período difícil, de grandes responsabilidades, com a democracia ameaçada e o discurso de ódio espreitando minorias com quem vivo de mãos dadas. Com Sergipe, agora, aprenderei a ser resistência e a no miudinho construir novas políticas de afeto, capazes de produzir novos corpos políticos individuais e coletivos. Seguiremos na luta diária pela construção de uma sociedade integrada, justa e democrática”, definiu.

Após receber o Título de Cidadania Sergipana, o professor Romero Venâncio da Universidade Federal de Sergipe fez um discurso lembrando do papel crucial da memória para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática. "O que é dito por esse governo que foi eleito é que ele quer apagar a memória desse país. E nós, nessa Casa, e os membros democratas dessa Casa, não podemos esquecer os mártires, os torturados, os presos, os assassinados. Esses que durante muito tempo, o cinema, a poesia, a literatura, e a história tentaram trazer à tona. E, de fato, a tarefa de reconquistar a memória será a tarefa mais fundamental para a democracia que nós defendemos".