Reconhecimento da contribuição do bailarino Conga para Dança Moderna e Afrobrasileira em Sergipe é iniciativa do mandato da deputada estadual Ana Lúcia


Existem atores sociais cuja importância para a formação de um contexto cultural e para o desenvolvimento de um estado é inversamente proporcional à visibilidade e ao reconhecimento conquistados. É o caso do educador e profissional de Dança Reginaldo Daniel Flores – também conhecido como professor Conga – responsável pela formação de um importante corpo de dançarinos de Sergipe. Há 28 anos o professor Reginaldo planta a semente da Dança Moderna e Dança Afro-Brasileira no Estado, e a colheita gerou ótimos frutos. Nesta segunda-feira, dia 28 de novembro, às 17:00 horas, atendendo ao requerimento da deputada estadual Ana Lúcia Vieira Menezes (PT), a Assembleia Legislativa de Sergipe vai entregar ao professor Reginaldo o Título de Cidadão Sergipano.

Filho de Clarice Daniel de Castro e Osvaldo dos Anjos Flores, Reginaldo Daniel Flores nasceu na noite do dia 11 de abril de 1953, na Ilha de Itaparica, em Pontal de Areia, Bahia. Ele fez os primeiros estudos na própria Ilha com suas primas professoras, e com 5 anos foi transferido para Salvador para morar com sua mãe. Aos 8 anos passa a residir com Maria Bibiana do Espírito Santo, até os 16 anos, após a morte desta última. É em Salvador que ele conclui o curso técnico equivalente ao 2º grau e tem contato com o ensino de artes através de oficinas de dança, música, escultura e folclore, antes mesmo de ingressar na Escola Superior de Dança da Universidade Federal da Bahia, pela qual obteve o diploma de Licenciatura em Dança em 1982.

No início da década de 80, o professor Reginaldo conheceu o dançarino sergipano Erê em um dos cursos e oficinas de dança afrobrasileira que ele ministrava na capital baiana. Foi através deste contato que o bailarino Conga – como também é conhecido o professor Reginaldo – veio até Aracaju pela primeira vez em 1982. Depois do vínculo estabelecido com o meio artístico sergipano, ele retornou várias vezes para realizar oficinas de dança e educação corporal. Até ser convidado pela então secretária Lânia Duarte para dirigir o Departamento de Dança da Secretaria Municipal de Cultura de Aracaju.

Dois anos mais tarde, transfere-se para Aracaju para ocupar o cargo de professor da Rede Estadual de Ensino e fazer parte do corpo docente da Escola Técnica Federal de Sergipe. Através de convênio entre essa escola e a Universidade Federal de Sergipe, frequenta durante os anos de 1993 e 1994 o Curso de Especialização em Fundamentos da Prática Pedagógica e obtém o título de especialista em educação com uma monografia sobre a Educação Estética de Schiller. Logo em seguida, ingressa no Mestrado em Educação da Universidade Federal de Sergipe, pelo qual obtém o título de Mestre em Educação com uma dissertação sobre o ensino de Artes.

CULTURA E RELIGIÃO
Quando veio para Sergipe, o professor Reginaldo Daniel Flores, o bailarino Conga, trouxe bem mais que o diploma de Licenciatura em Dança pela UFBA e o calor da efervescência que a Dança Afrobrasileira vivenciava na Bahia naquele momento. Seu conhecimento acadêmico sempre foi um acréscimo ao arcabouço cultural e toda experiência vivenciada no centenário terreiro de candomblé de matriz africana, o Ilê Axé Opô Afonjá – espaço onde a música e a dança são elementos vivos e essenciais para a construção da religiosidade e da interação social. A Dança, para crianças nascidas e criadas em terreiros de candomblé, serve como um instrumento do próprio desenvolvimento motor, evoluindo de maneira espontânea junto à maturidade de cada um.


Assim sua história de vida foi se trançando com a carreira do dançarino profissional e educador, concedendo o alicerce para consolidar a trajetória do sacerdote e líder espiritual fundador do Centro de Desenvolvimento Sustentável Ilê Axé Opô Oxogum Ladê, localizado na Comunidade do Caípe Velho, no município de São Cristóvão.

Ao longo dos 11 anos de existência, a Comunidade Religiosa de matriz africana tem servido como referência local de desenvolvimento social através das várias oficinas de geração de renda, de arte-educação e na mobilização em defesa do Meio Ambiente. O Centro de Desenvolvimento Sustentável Ilê Axé Opô Oxogum Ladê foi uma das entidades protagonistas do processo pelo reconhecimento junto ao (IPHAN) da Praça São Francisco como Patrimônio da Humanidade.

As conquistas alcançadas ao longo de sua vida resultam de muitas lutas, sucessos e derrotas. Elas geram um saldo positivo e exemplar para seus descendentes e toda geração presente e futura que precisa travar a mesma batalha contra o determinismo das condições de vulnerabilidade social, contra a discriminação racial e o preconceito direcionado à religião de matriz africana.

A história de vida de Reginaldo Daniel Flores, mesmo em seu percurso contínuo, já é um estímulo a todos os afro-brasileiros que contam com as forças da natureza, a bagagem cultural e religiosa deixada por seus ancestrais, o desejo pela transformação, a proteção dos Orixás e com sua própria fé na vida e toda magia a ela inerente.


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