Sessão especial na ALESE inicia Semana de Democratização da Comunicação

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A apresentação das pautas do Fórum Sergipano pelo Direito à Comunicação através do diálogo direto com os deputados da Assembleia Legislativa de Sergipe foi o saldo positivo da sessão especial realizada na tarde desta segunda-feira, dia 17, no plenário da Casa Legislativa. A diretora de Políticas Públicas da Secretaria de Estado de Comunicação do Rio Grande do Sul apresentou para comunicadores e deputados o trabalho em comunicação que vem sendo desenvolvido no Sul do país. A partir da realidade apresentada, a integrante do Fórum Sergipano, Ana Carolina Westrup mostrou dados locais sobre comunicação pública.

A necessidade de trabalhar com inclusão digital e políticas públicas para a comunicação fez com que o Governo do Rio Grande do Sul criasse duas coordenadorias dentro da estrutura da Secretaria de Comunicação. Cláudia Cardoso também frisou a importância da educomunicação e de criar um Conselho Estadual de Comunicação para assegurar participação e fiscalização popular. Ela ainda assegurou que as verbas destinadas à Comunicação no atual Governo gaúcho financiam publicidade e divulgação nas grandes mídias, mas também nas mais de 360 rádios comunitárias do Estado, mídias alternativas, blogs e sites para estimular a existência de veículos de comunicação. Cláudia Cardoso agradeceu a oportunidade que nem sempre há de se discutir sobre esta temática. “Só em espaços públicos como a Assembleia Legislativa é que podemos fazer este debate, porque as instituições privadas de comunicação geralmente não tem interesse no assunto”, pontuou.

A palestrante Carol Westrup, membro do Fórum Sergipano pelo Direito à Comunicação, se ateve à situação da comunicação em Sergipe, enfatizando que qualquer emissora de rádio ou TV funciona a partir de concessão pública, portanto precede de fiscalização e participação popular. E mesmo os veículos impressos não se mantem com uma estrutura exclusivamente privada, pois também se mantém com verbas públicas de publicidade do Governo.

Westrup informou que dos R$ 102 milhões investidos em comunicação no ano passado, R$ 99 milhões foram destinados para publicidade e divulgação de eventos, mas menos de 1% foi investido em rádios comunitárias e menos de 4% nos veículos de comunicação pública que integram a Fundação Aperipê. Ela citou a boa experiência de outros estados brasileiros que estabeleceram que qualquer programa do rádio ou televisão que viole os direitos humanos não deve ter patrocínio ou publicidade do Governo. “Precisamos saber se esta lógica vai continuar. O Estado vai permanecer sem uma política pública de comunicação?”, questionou.

 

A deputada Ana Lúcia (PT) sugeriu ao deputado João Daniel, que atualmente preside a Comissão de Comunicação da Casa Legislativa, que convide o secretário de Estado de Comunicação, Carlos Cauê, para uma discussão sobre disponibilidade orçamentária junto aos deputados – assim como aconteceu no primeiro semestre de 2011 com os secretários de Educação, Belivaldo Chagas, e de Cultura, Eloísa Galdino, durante as reuniões da Comissão de Educação, Cultura e Desporto, presidida pela deputada Ana Lúcia.

A professora e deputada Ana Lúcia lembrou que os deputados atualmente estão avaliando a peça orçamentária do Estado e, portanto esta é uma boa oportunidade para discutir orçamento para comunicação. “Enquanto membros do Partido dos Trabalhadores, que acreditamos na democracia, nós precisamos fazer reuniões temáticas para entender melhor a pauta dos militantes que compõe o Fórum”, sugeriu a deputada.

As entidades Abraços, Enecos, Sindijor, Centro Dom José Brandão de Castro, Associação Brasileira dos Documentaristas e o Instituto Recriando, que compõe o Fórum Sergipano pelo Direito à Comunicação, se fizeram presentes na sessão especial.

Programação da Semana pela Democratização da Comunicação:

Na quarta-feira, dia 19, a partir das 19h, será lançada a pesquisa ‘Vozes Silenciadas: Uma análise da cobertura da mídia sobre o MST’. O lançamento acontece na Sede Cultural do SINDISERJ (Rua Arauá 168, Centro).

Produzida pelo Coletivo Intervozes, a pesquisa debate a relação da mídia com os movimentos sociais, afirmando que há uma tendência dos grandes meios de comunicação em abordar o MST como movimento de desordem e baderna. Após a apresentação da pesquisa, o jornalista Cristian Góes falará sobre o tema e como ele reflete aqui em Sergipe.

A UFS também será palco de atividades da Semana pela Democratização da Comunicação. Na terça, a partir das 14h, no Auditório da Reitoria, o debate será sobre a Rádio UFS. Já na quinta, também às 14h, estudantes, professores e profissionais de comunicação discutirão a formação do comunicador e as perspectivas frente a mudanças curriculares na universidade.

Finalizando a Semana pela Democratização da Comunicação, será realizada a Noite do Audiovisual, na sede do Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira. Com exibição de vídeos sergipanos e roda de diálogo, a atividade discutirá o cenário e as perspectivas para a produção audiovisual independente local. Após os vídeos e roda de diálogo, o músico Thiago Ruas fará show de encerramento.